sábado, 23 de abril de 2011

Video Time-Lapse do Ceu na Montanha

Video Time-Lapse do Ceu na Montanha
A técnica time lapse é uma das modas das fotografia digital: tirar fotos completamente parado, com apenas uma diferença de tempo entre as fotos (uma foto as 13:00, outra 13:05, 13:10 e etc), mas do mesmo lugar para observar as mudanças ao redor.
O autor, Terje Sorgjerd, queria mostrar a Via Láctea a partir da montannha de El Teide, na Espanha a 3715m do mar, e aproveito para mostrar como as núvens durante o dia e a floresta se comportavam com a variação do sol e da lua.

The Mountain from Terje Sorgjerd on Vimeo.

terça-feira, 19 de abril de 2011

As pinturas cegas de Tomie

ouve uma época em que Tomie Ohtake resolveu vendar seus olhos para
criar obras que ela mesma chama de "pinturas cegas". Era o fim dos
anos 1950, começo dos 60, quando a artista se lançou a essa
experimentação, num "momento capital de Tomie na vanguarda", como diz
o curador Paulo Herkenhoff - é que a artista pintava "sem olhar para o
real" e inominando suas imagens. Por muito tempo, os quadros dessa
fase ficaram como que guardados, vez ou outra figurando em exposições,
mas, isolados. Somente agora, aos 97 anos, Tomie apresenta pela
primeira vez um conjunto reunido de cerca de 32 de suas obras dessa
série, em exposição a ser inaugurada hoje para convidados e amanhã
para o público em uma das salas do instituto que leva seu nome.


Instituto Tomie Ohtake/DivulgaçãoRadical. Óleo sobre tela de 1962, sem
título: artista trabalhava de olhos vendados na época
"O objetivo primordial do esforço crítico e historiográfico é tornar
visível esse corpus de "pinturas cegas" para sua mais efetiva
inscrição na história da arte", afirma Herkenhoff, curador da mostra.
Ele, que vem conversando com Tomie há anos para realizar essa
exposição, considera que exista algo até de radical na atitude da
artista no contexto em que criou essas obras. "Ela rompe com a
dualidade entre o abstracionismo geométrico e o informal", diz ainda
Herkenhoff.

Mais ainda, a experiência das "pinturas cegas" indicam o interesse de
Tomie pelo zen-budismo e pelas questões da fenomenologia de
Merleau-Ponty - ou seja, a experiência da percepção do mundo através
da passagem para os sentidos, como a busca da plena experiência.

Foi o crítico Mário Pedrosa, grande admirador e incentivador da
artista, que na época sugeriu a ela que lesse Merleau-Ponty e também,
como já afirmou Tomie ao Estado, que pintasse com os olhos fechados. A
artista, nascida em Kyoto, voltou-se à pintura apenas aos 39 anos, já
vivendo no Brasil. Criou, primeiramente, obras figurativas. Mas seu
caminho para o que ela chama de "simplicação", ou sintetização, que a
levou ao abstracionismo de formas e gestos puros - linhas, círculos,
por exemplo -, unida ao desempenho da cor em sua obra, também
incorporou a experiência das "pinturas cegas": a partir do não-ver, ir
atrás do "sentido do olhar". "Fiz uma dessas pinturas e quando abri os
olhos, uma imagem apareceu e não era uma forma certa", já contou a
artista.

Oceano. Certa vez, Tomie chorou ao ver uma de suas obras da série
"pinturas cegas", de predomínio do branco, em uma das salas da 24.ª
Bienal de São Paulo, em 1998. Na ocasião da mostra, com curadoria do
próprio Herkenhoff - e considerada uma das melhores edições da
história das Bienais -, a tela de Tomie estava ao lado de obras
brancas de criadores como o russo Kasimir Malevich, de Lucio Fontana,
Yves Klein, Soto, Robert Rauschenberg e Robert Ryman. Esse segmento,
afirma o curador, "correspondia a um mundo sem centro, constituído
depois da Segunda Guerra e formado por herdeiros do branco sobre o
branco da pintura suprematista".

Agora, Herkenhoff resgata uma teoria, a do ponto cego (punctum cecum),
"região no campo visual do disco ótico no qual a visão entra em
colapso", para analisar as obras de Tomie, que, na mostra, são as
realizadas entre 1959 e 1962. "Esses trabalhos colocam a relação entre
artes visuais e cegueira", diz o curador. Acompanhando as "pinturas
cegas" da exposição, Herkenhoff colocou um mapa do ponto cego para os
visitantes entenderem a analogia.

A montagem da mostra prima por um caráter de interioridade, colocando
as telas em ambiente escuro. São obras de formas livres, como um
"oceano", em predomínio de brancos, pretos e cinzas - mas há também o
marrom, que remete à cor das primeiras abstrações de Tomie; o
vermelho, azul, verde. Por vezes, é como se víssemos um certo grafismo
nos trabalhos o que, inevitavelmente, é a referência à formação do
desenho (e do ideograma) no Japão de Tomie.

Camila Molina - O Estado de S.Paulo
12 de abril de 2011

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Museu Casa Guignard


Nesta sexta, 25/2, o artista plástico brasileiro Alberto da Veiga Guignard completaria 115 anos. Como presente para o público, o Museu Casa Guignard, de Ouro Preto, lança a visita virtual da instituição. No site www.eravirtual.org, o internauta poderá ver o interior do museu, seu acervo e as ruas que ladeiam a instituição. Além de imagens, há áudios explicativos, acesso à coleção de cartões, vídeo sobre o artista e outras funcionalidades.
Promovido pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, por intermédio da Superintendência de Museus, o lançamento da visita virtual acontece às 15h30 desta sexta (25), na sede do museu, na Rua Conde de Bobadela, Ouro Preto (MG).
 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Alexa Meade, realidade ou pintura?

Quando olhamos pela primeira vez, não percebemos. Parecem-nos quadros expressionistas bem pintados. Mas olhe com mais atenção, especialmente para os olhos: é praticamente a única coisa no ser humano que não pode ser camuflada. Alexa Meade descobriu uma nova forma de fazer arte, indo além do bodypainting. Ela faz instalações, adaptando os objectos à sua forma de ver o mundo.
Meade adapta o real ao seu mundo, usando uma técnica própria que faz com que a realidade pareça uma figura bidimensional e criando uma ilusão até para o espectador mais atento. "Trompe l'oeil" é o nome da colecção destes trabalhos onde usa tinta acrílica e leva ao extremo o lema "a arte imita a vida", já que o faz em cima da própria vida. Como se construísse uma máscara em cima dos objectos sobre os quais trabalha, mantendo o seu âmago, sem o danificar.

Alexa Meade tem apenas 23 anos e, ao contrário do que possa parecer, a carreira artística nem sempre lhe foi óbvia. Proveniente de Washington D.C., licenciou-se em Ciência Política e já estagiou no Capitólio por várias vezes, sendo que em 2008 fez parte da equipa de imprensa da campanha de Barack Obama. Só há menos de um ano, quando terminou de estudar, é que se decidiu pela sua paixão artistica, trazendo da política a ideia de que as experiências não são verdades absolutas e, por isso, nunca são interpretadas da mesma forma: ver não significa necessariamente acreditar.

"Os modelos que utilizo são transformados em personificações da interpertação do artista da sua essência. Quando vemos uma fotografia ou vemos a instalação pronta, as pessoas que estão por trás do trabalho desaparecem, eclipsadas pelas suas próprias máscaras". (Tradução livre) É por estas palavras que Alexa Meade descreve o seu trabalho, revelando como nos proporciona uma mudança na forma como vivemos as relações espaciais e, por consequência, emocionais.


http://www.flickr.com/photos/alexameade/sets/72157622826164694/show/

sexta-feira, 4 de junho de 2010

imagens mágicas - anamorfoses

Ilusionismo e matemática sempre andaram de mãos dadas com a Arte. Da Proporção Áurea ao Photoshop, temos inúmeros exemplos na história onde a ciência ajudou artistas a “enganarem“ os olhos e o cérebro, criando obras-primas intrigantes. A Anamorfose (do grego na+morphé, “sem forma”) é uma dessas criações, baseada puramente na manipulação da perspectiva visual - da mesma maneira como enxergamos normalmente as pinturas de sinalização de trânsito distorcidas ao nível do chão.

O conceito é simples: uma imagem distorcida que, pela observação de um ponto focal específico ou através de um objeto refletor, aparece reconstituída aos nossos olhos. Os primeiros experimentos desta técnica datam do século XV (iniciados por Leonardo Da Vinci) e foram utilizados em diversos quadros, murais e afrescos cujas pinturas se confundiam com a arquitetura das paredes. “Os Embaixadores“, de Holbein, onde uma caveira se revela quando observada sob um determinado ângulo, é o exemplo mais conhecido de Anamorfose deste período.


Mas a técnica com espelhos, cujos primeiros registros aparecem na China Antiga e difundida no século XVII, é certamente a mais intrigante. A partir daí, a Anamorfose deixou o caráter artístico para cair no gosto popular, sendo difundida para transmitir mensagens políticas, caricaturas e imagens eróticas para aqueles que conhecessem o “segredo” do espelho.

O processo só foi resgatado do esquecimento por artistas visuais no decorrer do século passado, novamente sendo reconhecido como uma ferramenta artística de grande potencial. Um dos destaques contemporâneos são os trabalhos do húngaro István Orosz, composições ricas em detalhes interligando tanto a imagem anamórfica quanto o reflexo resultante.




Apesar de suas características exóticas, a Anamorfose tem grande presença na cultura popular e em nosso dia-a-dia. Além dos já mencionados sinais de trânsito no asfalto, temos exemplos de cartazes, capas de álbuns, filmes, propagandas e até mesmo marcas de cerveja que utilizam este recurso. A chalk art de Kurt Wenner e Julian Beever traz a arte anamórfica literalmente para as ruas com seus desenhos tridimensionais. E no Brasil, quem já passou pela estação República do metrô de São Paulo pôde contemplar de perto o "Monumento Antropofágico com Oswald de Andrade" de Antonio Peticov, um genuíno exemplo de Anamorfose utilizando espelhos e perspectiva. A ilusão da arte, afinal, não está tão distante do concreto e prosaico mundo real.





http://www.anamorphosis.com/

My Creation

My creation Originally uploaded by Madelina.